
Por que só ter um sistema não protege sua transportadora
15 de janeiro de 2026
Terceirizar o controle da jornada do motorista não elimina a responsabilidade da transportadora
15 de janeiro de 2026Durante muitos anos, a gestão do transporte rodoviário no Brasil seguiu uma lógica simples de carregar o caminhão e colocá-lo na estrada. O foco estava quase exclusivamente no veículo, na carga e no prazo. O motorista, muitas vezes, era tratado como parte secundária da operação, alguém que precisava apenas “dar conta da viagem”.
Esse modelo funcionou em outro contexto. Mas ele não se sustenta mais.
Hoje, o transporte opera em um ambiente completamente diferente. Mais tráfego, mais exigências legais, mais pressão por eficiência, mais responsabilidade social e mais exposição jurídica. Insistir em práticas do passado é um risco que nenhuma transportadora pode se dar ao luxo de assumir.
O transporte mudou e a gestão precisa acompanhar
A logística atual exige planejamento, previsibilidade e estratégia. O crescimento do e-commerce, por exemplo, trouxe um novo desenho operacional para muitas empresas. Em várias operações, já não faz sentido pensar em viagens longas com um único motorista do início ao fim.
Assim como acontece no transporte de passageiros, o modelo de revezamento começa a ganhar espaço, o caminhão segue viagem, mas o motorista é substituído ao longo do percurso. Isso permite cumprir prazos sem sacrificar a saúde, a segurança e a legalidade da jornada.
Esse tipo de operação só é possível quando existe gestão profissional da jornada, integrada à estratégia logística da empresa.
O motorista não é um recurso infinito
Durante muito tempo, o transporte tratou o motorista como se fosse um recurso inesgotável. Enquanto o caminhão estivesse rodando, “estava tudo certo”. O impacto físico, mental e familiar dessa lógica raramente entrava na conta.
Hoje, essa visão não apenas está ultrapassada, ela é perigosa.
O motorista é um recurso finito. Ele tem limites legais, físicos e humanos. Ignorar isso resulta em afastamentos, acidentes, rotatividade elevada, passivos trabalhistas e perda de produtividade. Em última instância, compromete o próprio negócio.
Empresas que evoluíram entenderam que cuidar da jornada do motorista não é custo, é estratégia.
A jornada começa no planejamento, não na estrada
Um erro comum é tratar a jornada como um problema do RH ou como algo que só precisa ser “ajustado” depois que a operação já está em andamento. Na prática, a jornada começa muito antes, no planejamento logístico.
Atrasos do embarcador, janelas mal definidas, rotas mal estruturadas e falta de previsibilidade não podem “estourar” no motorista. Quando isso acontece, o risco é transferido para quem está na ponta e o resultado costuma ser excesso de jornada, descumprimento de descanso e exposição jurídica.
Modernizar a jornada do motorista significa integrar logística, operação, RH e gestão de risco em uma única visão.
Estrutura, dignidade e retenção
Outro ponto que evoluiu é a preocupação com a infraestrutura oferecida ao motorista. Muitas empresas já investem em dormitórios próprios, áreas de descanso adequadas e ambientes que respeitam a dignidade de quem passa dias fora de casa.
Essas iniciativas não são apenas benefícios sociais. Elas impactam diretamente a retenção de profissionais, a reputação da empresa e a sustentabilidade da operação. Em um cenário de escassez de motoristas qualificados, quem não se adaptar ficará para trás.
Não dá mais para gerir como em 1980
O transporte rodoviário está vivendo um novo momento. A legislação evoluiu, a tecnologia avançou e a sociedade passou a olhar com mais atenção para as condições de trabalho nas estradas.
Empresas que entendem esse movimento estão se profissionalizando, adotando controles de jornada mais robustos, planejamento mais inteligente e uma visão mais humana do motorista.
As que insistem em modelos antigos correm riscos cada vez maiores seja operacional, jurídicos e reputacionais.
Modernizar a jornada é proteger o futuro da operação
A jornada do motorista não é um detalhe. Ela é parte central da estratégia logística, da conformidade legal e da sustentabilidade do negócio.
Modernizar a gestão da jornada significa reconhecer o motorista como um elo essencial da cadeia, investir em planejamento, tecnologia e acompanhamento contínuo, e abandonar de vez a lógica do “pega e vai”.
O transporte mudou. E a jornada do motorista precisa mudar junto.





